quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Epifânio Augusto em: Epifania


Capítulo 5

Epifania

Epifânio passou pela sala onde o tio dormia, atravessou o pequeno corredor da casa até a cozinha que ficava nos fundos com porta para o quintal, desceu a escada de madeira, já muito apodrecida, mas não era tão alta, oito degraus, mal feitos degraus, alguns cuja lateral os pregos já não seguravam mais e a queda era iminente.

No quintal, sem iluminação alguma, pôde ver o brilho da Lua e das estrelas por entre as folhas do abacateiro, os pontos das estrelas vistos através daquele emaranhado de folhas escuras, que se movimentavam ao balanço de uma leve brisa, que mais parecia prenúncio de chuva, mas não era, pois não havia sequer uma nuvem a proteger a Lua e as estrelas daquele olhar de criança, pareciam vaga-lumes a bailar. Aquele olhar de criança...olhar de criança...embrutecida criança...olhando fixamente para um ponto a ermo sem contudo observar de fato qualquer brilho...parecia mais um olhar de quem vai à guerra, de quem quer lutar...

Sentou-se ao pé da grande árvore, agora de olhos fechados, como a pensar sobre alguma coisa, os olhos por trás das pálpebras se moviam pra lá e pra cá agitadamente como quem já está em luta...uma luta silenciosa... uma batalha travada na mente...com um oponente poderoso...de repente aqueles olhos de criança se abrem e o garoto se põe de pé e grita:

“-SAI DAÍ...VEM PRA FORA!!!!”

...Desafiava seu opositor a sair de sua mente e vir para uma luta corporal, no braço...(como se fazia antigamente)

-Tá magoado comigo? Tá com raivinha de mim? O que te fiz Deus? O que um garoto pode fazer contra Ti para que tu guardes tanta mágoa assim? POR QUE EEEEEUUUU DEUS??? Tu não tens nada de bom pra mim? Só dor e sofrimento? Meu Pai, meu tio, e agora...ela? (falou o “ela” tão baixinho que só Deus poderia ter ouvido mesmo).

-Me deixa em paz Deus...não quero nada contigo...alguém me disse que rezar era como conversar contigo, era como falar com um amigo...mentiram pra mim...tu nunca falou nada comigo, era sempre só eu que falava...tu nunca estavas lá comigo...   ...  ...eu tô acostumado com teu silêncio, com tua ausência, com tua indiferença...mas ...e ela? (baixinho novamente) tu tens prazer em fazer crianças sofrerem? Sofrerem nas mãos daqueles que deveriam protegê-las? Que tipo de Deus tu és? Não consigo nem dizer VAI EMBORA...tu não tá aqui...não te vejo...não te ouço...não te sinto...não quero mais saber de ti...

Com os punhos cerrados, respiração ofegante, o coração enegrecido, os olhos marejados pela dor de não poder proteger seu amor...    ...   ...cheio de ira...olhou para céu e sem se importar se alguém acordaria, gritou das profundas trevas de sua alma angustiada:

-DEEEEEEEUS ....EU TE .....não completou a frase...e aos prantos  puxou para junto do peito os punhos fechados, curvou o corpo para frente como quem não está agüentando a dor e o sofrimento e ....babando e soluçando descontroladamente falou bem baixinho....quase que inaudível: ...”-protege ela Deus...protege meu amor...por favor”.

Quedou-se...

Longo silêncio se seguiu a esse desabafo...de joelhos ao solo, com a cabeça agora abaixada e as mãos tocando o chão mostrava o quanto estava abatido e o quanto estava perdendo aquela batalha...   ...deitou-se no chão de barro...o vento continuava....as folhas agitavam-se mais agora... o rosto de lado tocando o solo, não tinha mais brilho nenhum pra se ver...adormeceu...

“-Epifânio!...   ...   ...Epifânio meu filho!”

Uma voz forte se pronunciava... forte, grave, mais de uma suavidade sem igual...

Epifânio teve a impressão de ser tocado no rosto...um terno toque...um toque de....pai.

Meio sem entender nada se levantou, limpou o rosto sujo de terra, o peito, a barriga e as pernas, e....parou, sem ver ninguém por perto, confuso...olhou de um lado...do outro...nada...ninguém....

“-Sobe na árvore Epifânio”.

O garoto ouviu a voz novamente, mas sem demonstrar nenhum medo, o que seria natural para qualquer um sentir...menos para Epifânio...ele não tinha medo de nada nem de ninguém...a não ser de vespa e poraquê...

Subiu. Num lance estava no topo do abacateiro, mas...não tinha ninguém lá...   ...de repente sentiu uma presença, uma....   ...   ...tipo...   ...  ...tinha alguém lá sim....tinha sim...ele viu por entre as folhas um brilho diferente, maior, um homem...não estava de branco...nem de preto, nem vestido de cor alguma...estava de.... caramba! Estava vestido de glória, ninguém precisava explicar a Epifânio o que era glória, glória não se explica...se vê...se vive...se tem...se é.

E agora as folhas pareciam abrir caminho para que Ele pudesse se mostrar pro garoto. Era Deus...   ....e Deus era...   ...índio...índio...moreno queimado, nariz largo, olhos profundos e sonolentos, baixinho...gordo...não...gordinho.

-Tu é índio!!!! ...eu sabia!! Exclamou o escurinho.

-Pois é...sou da forma que você sempre soube que eu era...ou sempre quis que eu fosse...-Sua vó conversou com um Capitão da Marinha há alguns dias...vestido com traje de gala...falou de você Epifânio.

-Foi? ...pensativo por uns dez segundos olhando fixamente pra Deus, disparou: -Ela mente às vezes, sabia? Acho que é a idade.

-Pare Epifânio. Não vou entrar em detalhes sobre a conversa com ela. E você? ....Revoltado?

-Não vou repetir nada do que falei...já falei o que eu tinha pra falar...quero respostas agora.

-Calma filho, você as terá, mas antes me permita falar-lhe algumas coisas. Nada me foge ao controle, todas as coisas sugerem uma força por trás, seja viva, inanimada, até morta. Nada se move sem uma força motriz, nada se criou sem a ação de alguma força maior...lembra? “EU”....Tudo o que você viveu com “ela” esteve sempre às minhas vistas, e sob meu controle. (Epifânio pensou: até o pum fedido? Então a culpa não foi dos cajus....foi Dele). Não a trouxe até você sem nenhum motivo, não pense que me alegro com o sofrimento de Dalila, ou com seu sofrimento Epifânio...não sou assim...mas sofrer faz parte do viver, e só sobrevive aquele que consegue suportar as pancadas que a vida dá...que são muitas e por vezes muito intensas e inacreditavelmente doloridas...mas passam...ah passam! Quando você deita e fecha os olhos e começa a falar comigo em seus pensamentos, eu paro o que tô fazendo só para dar atenção às suas palavras...confesso que nem sempre gosto do tom, mas sempre gosto da sinceridade, do coração despido de vaidades e mentiras...Lembra quando você disse: “DEUS É FODA”, lembra? Rsrs sou mesmo Epifânio, mas não de qualquer jeito, sou do jeito que você tinha no coração quando proferiu essas palavras...DEUS É FODA, no sentido de É O MÁXIMO...É TUDO....ELE É...   ...não sou o cara Epifânio....quando você for terminar novamente essas suas loucas verbosidades diga:  “ELE É ...   ....ELE É DEUS”. Não importa em quais circunstâncias Dalila surgiu pra você...ela não entrou na sua vida, ou está na sua vida...DALILA É VOCÊ...ETERNAMENTE VOCÊ. Vocês são o mesmo ser dividido em dois corpos e a MEU TEMPO esses corpos se fundirão e se tornarão um só...e produzirão outro ser...melhor.

-Filho? Perguntou Epifânio num misto de assustado e feliz.

-Você e suas perguntas já tão respondidas. Você de fato é homem.

-Como posso saber que o que o Senhor está falando é verdade? Às vezes chego a pensar que sei mais coisas que o Senhor, e que resolveria alguns problemas de maneira mais acertada. E olha que sou só uma criança.

-Exatamente Epifânio, você é homem e homens, não importa em que idade estejam, são sempre...crianças.

-Ah!...tá!...então tá!....   ...um Deus feminista...só falta ele dizer que as (é cortado abruptamente)

-Exatamente Epifânio, as mulheres evoluem, os homens apenas crescem. Viu como você, apesar de tão pouca idade, tem a ideia de que as mulheres são diferentes? Os homens nascem, crescem, eventualmente têm sorte e acertam, e morrem. As mulheres nascem, evoluem, eventualmente tomam uma decisão equivocada, consertam, e viram as melhores lembranças dos homens.

-Elas não morrem? Tá vendo, sei mais que Tu...já vi umas quatro mortas.

-Pergunte aos homens de suas vidas se estão mortas filho, e verás que todos terão uma boa palavra pra dizer sobre elas....uma boa lembrança.

-Dalila é tão triste que parece morrer a cada vez que...é...o Senhor sabe...não gosto nem de pensar nisso...pessoas que deviam protegê-la...em quem ela devia depositar toda a confiança...odeio cada um deles...tenho desejo de matá-los...matá-los muitas vezes. Eles a destruíram no corpo e na alma. Marcaram-na como quem marca um animal de pasto. E você não fez nada.

-Meu filho, tudo está sob meu controle. Disseste bem, feriram-lhe o corpo e a alma, mas ela tem um espírito forte, vai se reerguer. Cada vez que isso acontece, eu a torno mais forte, mas preparada para tratar outras pessoas que virão para a vida dela com problemas iguais ou similares. Tenha paciência filho meu.

-O Senhor não sabe muito, né? Pedindo paciência a um adolescente....vejo que tantos anos de idade não fez do Senhor lá muito inteligente não...isso prova que de fato os homens são a tua imagem e semelhança...não evoluem.

-Creia, ela é minha benção na vida de muitas pessoas, especialmente na sua lôro   ...e sobre ser inteligente...bom...realmente não sou muito inteligente....SOU DEUS. Você sabe o significado de seu nome?

-Menino lindo? Perguntou Epifânio.

-Hahahaha  Nãããão, claro que não. Você não é lindo, é apenas a metade menos favorecida de lindeza de Dalila, afinal, ela ficou com um bom bocado da beleza de vocês. Muito justo, concorda? Quando você estava no ventre de sua linda mãe, permiti que ela tivesse a visão desse nosso encontro, por isso o seu nome...Epifânio.

-Entendi nada!!!

-Já vou filho.

-Deus...Vou vê-la novamente? Quando? Onde?

-Sim...vai, mas até lá você também precisará ser preparado, e creia, no pilão.

-Se o Senhor permitir, sofro tudo o que tenho pra sofrer ...sofro tudo o que ela tem pra sofrer, só não quero mais que aconteça aquilo com ela.

E Deus secamente respondeu: -Basta!

O galo cantou cedo e Epifânio descobriu que havia dormido no quintal, no chão de barro, e estava sujo...pensou:

-Foi um sonho?

Olhou para o céu azul franzindo a testa com cara de quem já quer arrumar confusão de novo e pensou: -Você não teria coragem de me enganar desse jeito...teria?

No semáforo




No semáforo

No semáforo

Faltavam mais de 100 metros e há muito o semáforo amarelara. Zimpei mas não consegui êxito no intento de atravessar a avenida, pois os adversários motorizados já ameaçavam com vrrruuunnns de cá e de lá, de lá e de cá quase que em sonora sinfonia. Parei o auto, de aros na cara, virei a cabeça para a esquerda e...de repente....lá estava ela...de costas pra mim, morena, mais que morena, morena escura, negra...olha o corpo inerte do companheiro caído na calçada...inerte do meu ponto de observação...o auto...mas certamente ela o via respirar...nada mais que isso...respirar...e o velava, como uma mãe que vela o corpo de um filho caído, abatido por uma bala perdida, perdida de um revolver do governo, sim, um revolver oficial, como sempre acontece, um tiro de soldado PM...mas nada disso...não estava velando um corpo sem vida...estava velando o marido entorpecido até as cuecas, se é que as tinha, por drogas pesada, mas nem tanto, drogas pesadas são para aqueles que as podem adquirir...é...velar o marido é sinal de amor, ou não é? Se fosse eu que lá estivesse ficaria muito feliz se alguém me amasse ao ponto de não deixar as moscas pousarem em mim, ou os cães me lamberem a cara...é amor sim...ou você não gostaria de ter alguém assim se fosse você?


Não conseguia desviar o olhar...os outros passageiros no carro também observavam a cena sem muitos comentários...sem muitos...sem....muitos...tipo...nenhum...a cena não reclamava comentários, não cabia nenhum...olhávamos tão contemplativamente, olhares contemplativos tão profundo, tão mirados, tão sem se desviar que a moça virou rapidamente, e olhou diretamente dentro do carro...não tivemos qualquer reação , fomos pegos em flagrante, constrangidos, envergonhados, mas mais envergonhados ficamos por descobrir que a jovem, que de costas nos parecia só uma menina, agora se nos mostrava uma mulher...de barriga saliente, de quem dará à luz uma vida ....sem sorte...vida sem sorte....vida...quase morte...o tempo estava parado, o semáforo, cruel semáforo, teimava em não nos permitir sair dali, levar nosso vexame para outro lugar, agora era ela quem nos olhava, com um olhar nada fulminante, nada acusador, pelo contrário, um olhar de quem tem um grito no ventre às portas do desespero, louco para ...louco para...tipo...dizer...dá uma moeda aí...a vergonha só aumentava, meti a mão no console do carro e tomando como de assalto todo o dinheiro que tinha, apontei-lhe a nota no momento em que o bendito, agora maldito, ainda bendito...sei lá, esverdeou-se...quanta injustiça daquele tricolor governamental que agora salta do vermelho para o verde sem ao menos pensar que aquela figura, digo, aquelas figuras, mão e filho, almejavam pegar o montante que vos era proposto, os demais veículos, que agora se movimentam não permitiam que ela se aproximasse e os que atrás estavam, buzinavam inquietos, mesmo que de lá pudessem ver o braço estendido pra fora com aquela nota na ponta, mas..aquela mulher, aquela esposa, aquela mãe, aprendera pensar rápido em prol da sobrevivência...joga no chão, joga no chão que eu apanho...pouco importava se um, dois, dez carros passassem por sobre o papel, valoroso papel, o que importava era que naquela noite...naquela noite, não haveria fome, nem para ela, nem para todas as pessoas de seu universo...marido e rebento...abri os dedos...simplesmente abri os dedos e caiu...e me fui, nos fomos...a sensação de dever cumprido tomou conta de mim...estava feliz por ter-lhe dado um momento de alegria...que noite maravilhosa ela teria....quisera eu poder mudar a noite de todas as mulheres que se encontram no mesmo estado, mas não posso...ou posso?...o que sei é que naquela noite haveria pessoas ricas no planeta terra....ela...e eu...eles....e nós...obrigado vida.
Por Ricardo Serrão

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Epifânio Augusto em: A descoberta do amor que dói. E qual o amor que não dói?


Capítulo 4


A descoberta do amor que dói. E qual o amor que não dói?


Passamos toda a manhã roubando caju do sítio de seu Neco, comíamos até que a garganta ficasse travando. Lembro-me bem que naquele dia estavam 213, camarão, eu, e Epifânio trepados num cajueiro bem alto, pegando cada um lindão, vermelhão assim de dar água na boca. Precisávamos ficar sempre quietinhos devido aos cachorros do velho Neco, eram grandes, barulhentos e ferozes, mas nada nos parava quando queríamos alguma coisa, principalmente quando era coisa alheia, rsrsrs, mas naquele dia Epifânio estava mais calado que de costume, era o que estava mais alto na árvore e parecia fitar um ponto muito distante de onde estávamos. Por mais que tentássemos ver o que ele via não dava porque a posição dele era privilegiada pela altura.

-Epifânio? Sussurrei questionando...-Epifânio!! O que tu tá espiando?

Ele estava absorto em seus pensamentos, completamente compenetrado que nem ligou para meu chamado. Falei um pouco mais alto:

-Lôôro!!! O que foi cacete? O que tu tá vendo?

Ele me olhou calmamente e disse:

-É masturboy...(falou em baixo tom sem tirar os olhos do alvo, com uma seriedade de quem pressente que algo de ruim está por acontecer)

Masturboy era um garoto que morava perto de nossa casa que tinha a pele meio esverdeada, olheiras muito profundas e escuras, e vivia se queixando que estava cansado, pouco brincava com a gente porque não tinha muito preparo físico. Não foi à toa que Epifânio desconfiou que ele se acabava na covardia do cinco contra um no banheiro, e não eram poucas às vezes durante o dia, pois o cara vivia com aquela cara de fadiga crônica, por isso o lôro colocou-lhe o apelido de masturboy.

-O que tem ele Epifânio?

Tá escondido atrás de uma moita observando alguma coisa ou alguém...estou esperando para ver se aparece alguém. Acho que tá aprontando. Vou ver de perto.

E já foi descendo com aquela agilidade que só ele tinha, em dois lances já estava no solo andando agachado rumo à estrada de barro.

Vimos quando ele parou...se levantou...e ficou estático mirando alguma coisa. Continuávamos no cajueiro sem saber o que de fato acontecia, mas em breve teríamos uma grande surpresa. Epifânio voltou calado, subiu, não nos olhou, ficou numa posição de costas pra nós três...

O que era mano? O que o masturboy tava xeretando? ...calado estava....calado ficou...de costas...aí falou:

-Tem alguém na casa do multi-homem... ... ...e... é linda.

-Quem será gente? Perguntei. Se é linda deve ser visita de outra família, porque na família dele só tem gente feia, lembram da Soninha, a zoiudinha? Outro dia sonhei que tava pegando aquela guria numa festa...quando ia beijá-la tive acesso de tosse no sonho...meu Deus, acordei quase tuberculoso de tanto que tossia, acho que foi meu subconsciente se defendendo daquele beijo da morte, suava em bica.

-Não sei quem é, mas...é linda...e vai ser minha...ah vai!

Ou Epifânio fora possuído por um espírito imundo de pretensão descabida, ou de presunção repentina ou de fato falava sério, simples assim. Mas não imaginávamos que aquele nego beiçola do cabelo loiro, feio, irresponsável, inconsequente, que estava sempre sem camisa mostrando um corpo desprovido de pelos e a quem pouco se dava crédito, poderia se dar bem com qualquer exemplar do sexo feminino. Fato é que à noite estávamos todos reunidos falando sobre o assunto...quem era a garota na casa do multi-homem? Epifânio não estava conosco e resolvemos fazer uma visita ao amigo que recebia a ilustre visitante. Chegamos todos juntos, nessa hora a turma estava toda reunida, guepardo, sobrancelha, 213,camarão e eu, só Epifânio não estava. Ela não era linda, o lôro foi injusto com a menina, ela era...perfeita...chamava Dalila, tinha olhos graúdos meio caídos, boca carnuda (parece até que só apareciam dessas bocudinhas nas nossas vidinhas de adolescentes), os dentes bem branquinhos e havia uma falha nos dentes que lhe davam um charme especial, magrinha sem ser seca, cabelos compridos, lisos, tinha uma pintinha no rosto, um sinal de belezura. Manel Hilário nos apresentou como prima dele, mas na realidade era uma prima tão tão distante que me faz pensar no reino do Shreck.

Ela pouco falava, pouco sorria, por mais que tentássemos parecer agradáveis parecia que não tínhamos êxito em nada do que falávamos ou fazíamos para agradá-la. A varanda da casa do multi-homem parecia mais um anfiteatro rural onde uma atração principal se punha ao centro e os espectadores esparramavam-se ao seu redor...algo...quase circense.

Passava das oito horas quando vimos um vulto na estradinha, caminhando em nossa direção, parecia mais uma camisa branca flutuando...era Epifânio, diferente, tava vestido, de camisa, calça, sandália percata (alpargatas), e pasmem, gravatinha borboleta, kkkk inacreditável, o lôro tava realmente disposto a conquistar a guria...foi se aproximando, aproximando, numa altivez, num charme que só ele....não tem...quando chegou Manel levantou orgulhoso e foi apresentar a prima ao amigo, era uma cena quase tão solene quanto a posse do Presidente do Senado.

Disse o multi-homem:

-Epifânio, essa é Dalila minha prima lá de Goiás, veio visitar a gente.

Epifânio não tirava o olhar do olhar dela, um olhar de sedutor, tipo Dom Juan, a menina parecia enfeitiçada por aquele olhar, pois não conseguia desviar os olhos daquele belo exemplar dos zulus....belo?...pulemos essa parte... ele estava em pé, de costas pra nós, com a mão estendida rumo à garota, que se levantara também para cumprimentar aquele guri completamente diferente dos que já vira até aquele momento naquele lugar esquecido de Deus...no exato momento em que ela lhe tocou a mão ...Epifânio soltou um peido...putamerda Epifânio, o que é isso? Na nossa cara?....ele ficou tão sem saber o que fazer que abriu os braços num abraço envergonhado e já foi pedindo desculpas...FUI EU, FUI EU, DESCULPA, DESCULPA, FOI O CAJU, FOI O CAJU.... tadinhos dos cajus, levaram a culpa dos flatos fedorentos...o filhote de cruz credo ainda virou pra nós e pediu com a cara mais sem vergonha querendo chorar: -GENTE AJUDA AÍ, CHEIRA TODO MUNDO JUNTO PRA ACABAR LOGO ESSA CATINGA...parecia que o moleque tinha comido um casal de mucura assada na folha da bananeira e banhada no molho da castanha, e que a castanha também estava passada já....a menina ficou mais constrangida que ele e sem saber o que fazer...e mais verde que o masturboy coitada...não devia estar acostumada com esse tipo de boas vindas...lá pelos Goiás não deve ser assim...ou é? Sei lá!!!

Epifânio Augusto Cortez de Sena, seu criado, não despertou o amor em Dalila, também não despertou o nojo, mas despertou uma enorme curiosidade na garota pra saber o que ele tinha na cabeça quando se vestiu daquele jeito como quem vai fazer exame de fezes e não quer que ninguém saiba que tá levando um potinho de cocô no saquinho dentro bolsa. Depois que o vexame diminuiu ficamos conversando até tarde e todos foram pra casa, menos Epifânio, cuja mãe não se importava muito se ele chegasse tarde em casa, pois sabia que ele sabia se cuidar.

O tempo que Dalila esteve na casa do primo Manel foi na companhia de Epifânio, queria encontrar um era só saber onde o outro estava. Foram dias de calmaria no cajueiro do seu Neco, nas gazetas da escola, e nos lugares por onde andávamos aprontando na companhia dele. Esse tempo serviu para nos mostrar que sem a companhia dele éramos apenas garotos comuns, mas quando ele estava por perto...éramos heróis nacionais mudialmente conhecidos na nossa cidade...todos conheciam nossa turma e respeitavam, até mesmo os garotos mais velhos não tiravam onda com a gente.

No dia que Dalila iria voltar pra cidade onde morava, Epifânio sumiu, a menina pediu que procurássemos por ele, fomos na casa dele, na escola, no igarapé grande, no fumódromo, onde às vezes íamos jogar bola com os maconheiros da área, nos sítios onde costumávamos ajudar na colheita do pés de fruta...colhíamos pra nós é claro...mas nada de Epifânio...estava triste em algum lugar, afinal, o melhor que já lhe acontecera estava partindo da cidade e partindo seu coração. Não sei se ela o namorou naqueles dias, mas sei que ele não só a namorou como noivou e casou com ela em seus mais prazerosos pensamentos. Neguin tava chorando em algum lugar! O ônibus que a levaria pra cidade pra pegar o avião já se preparava pra partir...a família do multi-homem (que chorava feito menina) estava toda lá pra se despedir...nós também...abraçamos Dalila, que chorava muito, e fazia com que nossos coraçõezinhos adolescentes sofressem também. Entrou no ônibus...o motor já estava ligado...o motorista fechou a porta e a menina não parava de procurar Epifânio, com os olhos inchados de tanto chorar...olhava pra todos os lados pela janela do busão sem nenhum sinal dele...ela sentou, baixou a cabeça entre as pernas e sofreu..sofreu como quem sofre com a experiência de morte...o ônibus se moveu...saiu da inércia e...de repente...ouvimos um alvoroço...uma gritaria que de baixinha se agigantava...um frisson que tomava conta da plataforma...olhamos e vimos Epifânio chegando a galope num cavalo no mínimo roubado de algum sítio da redondeza...bem ao estilo Epifânio, sem camisa, só de short surrado, descalço, braços para o alto gritando: “-PÁRA, PÁRA, PÁRA OU ATROPELO ESSE ÔNIBUS”...o motorista num misto de surpresa e temor freou bruscamente o intermunicipal. A galera vibrou com a chegada dele, ele sabia como fazer uma grande entrada, fosse com vespas, poraquês, ou cavalos ele sabia como ser o astro do momento, e fazia isso com uma naturalidade e ingenuidade de criança. Epifânio apeou do cavalo, e sobre o aplauso da galera parou à porta do coletivo sem nada dizer....o motorista olhando fixamente para ele e ele para o motorista numa batalha interplanetária mental...o lôro não desgrudou o olhar do motorista que sem ter muito o que fazer e vendo a euforia de todos na plataforma, muito a contragosto, abriu a porta do veículo. Antes de subir, ele olhou-nos tão emblematicamente que nada precisou dizer para nos lembrar das palavras que proferiu no primeiro dia de contato com sua deusa:

“-Não sei quem é, mas...é linda...e vai ser minha...ah vai!”.

Subiu imponente como um Hércules subindo o Monte Olimpo...de fora podíamos ver o semblante de Dalila, agora em pé, olhando o “amigo” parado na entrada do corredor de poltronas...o motorista quis falar alguma coisa, mas se deparou com os olhares da gangue...GUEPARDO ANDANTE, SOBRANCELHA DO CAPETA, CAMARÃO, CODINOME 213, MULTI-HOMEM...e eu, na porta do ônibus lhe fitando com cara de poucos amigos como que lhe dizendo: Ele é nosso amigo... ... ...vai encarar?...não encarou, ficou quieto...

Epifânio abriu seus braços e Dalila se aninhou com os braços encolhidos, aos prantos, como querendo se sentir segura naquele abraço juvenil, agora tão adulto e tão protetor...ele que não era tão mais alto que ela, levantou o queixo e apenas lhe abraçava apertada e demoradamente...era como se ela quisesse dizer...”vem”....e ele...”fica”, mas éramos todos muito crianças para assumir tais responsabilidades...não conseguíamos nem passar direto no colégio sem ficar de recuperação. Ele olhando nos olhos dela, se vendo no olhar dela, disse: “-não importa onde você esteja... ... ...com quem você esteja... ...você mora dentro de mim...sou teu!” e ela: “-não importa quanto tempo... ... ... quantos abraços... ...você mora dentro de mim...sou tua!” e chorando... permitiram que seus lábios se aproximassem cada vez mais e...se tocaram...suavemente...ambos puxando profundamente a respiração sentindo o cheiro um do outro como num enigma que só eles sabiam o significado...ele afagava seus cabelos longos e a puxava firmemente como querendo se fundir com ela...a plataforma toda em silêncio...os passageiros dentro do ônibus em silêncio...a hora era de partir...ele pegou a mão dela...colocou na boca....e...passou uns bons segundos nesse gesto que nos parecia um beijo, mas não era....ele a marcara com os dentes...ela não reclamou de dor...sabia o que ele estava fazendo, aceitava passivamente ter a marca dele...ele levantou a cabeça e disse...”-quando você se sentir sozinha, olhe sua mão, me veja...me sinta... seja eu...serei você...me espera no amanhã...me espera no futuro...vou procurar você Vida!” (era a primeira vez que o ouvíamos chamá-la de algum nome...Vida...lindo)...”-sei que vai, ela disse...vou esperar o tempo que precisar”...e aos prantos ela o deixou ir...e se separaram...ele desceu do coletivo candidamente, olhou-nos com autoridade, virou-se para o motorista e... ... ...anuiu com a cabeça como que autorizando sua partida. Ninguém ousava pronunciar qualquer palavra...todos tinham noção da dor e do sofrimento que estavam sendo vividos ali...o ônibus se foi...Dalila se foi...Vida se foi...mas a esperança do reencontro permaneceu...e terá seu desassossego a seu tempo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Epifânio Augusto em: Inglês na ponta da língua.


Capítulo 3

 Inglês na ponta da língua

Todos tínhamos na base de 14 anos, no ginásio, tipo 8ª série, usávamos umas camisas padronizadas do governo assim, calça social azul marinho e blusa de botão na frente...coisa horrorosa...mas era obrigatório. Sem falar no bolso rsrsrs tinha até o brasão do governo, a maioria tinha escrito CENTRO EDUCACIONAL FULANO DE TAL. Bom, éramos garotos e em toda história de garoto sempre tem??Hã??? O quê???Vamulá, vamulá...diz diz....hã? hã? ...”Mentiras de garoto”...um querendo ser mais que o outro, todos os dias um tinha uma aventura pra contar, e era cada uma que parecia duas, três, quatro...o certo é que não tinha um dia abençoado do Senhor que um de nós não tivesse alguma ESTÓRIA pra contar...              ...e aí vai mais uma do neguinho...

Epifânio Augusto......seu criado...

Inédita...incrível...inimaginável...ininverdadeira...(caralho que palavra feia!...espero que pelo menos exista no dicionário?)

IlenaKanto era seu nome. Quando viera transferida de uma escola do município vizinho ao nosso, não imaginávamos que mudaria completamente a vida de alguns de nós. A dele principalmente. Olhem bem...mas olhem com os olhos de pureza, porque nada aquém disso poderá vislumbrar tamanha delicadeza e suavidade em tudo o que fazia...vejam...com os olhos do coração. Japonesinha...putaquiupariu!!!...parou parou...pronto, não precisa dizer mais nada...os únicos japoneses que tínhamos vistos até então, eram seu Nakamura e dona Tomiko, um casal de agricultores de pimenta do reino que tinham lá seus...hum...deixa eu pensar...hum...seus 114 anos cada, porque japonês vive até acabar, é que nem lápis de dono de venda que anota fiado no caderninho...era só olhar pra orelha dos desgraçados que lá estava o toquinho de lápis, mas usavam até acabar...que nem vida de japonês...e ela chegou com aquela pele clarinha, bem cuidada, feito veludo, mas mais suave...olhos em risco...mas não um risco de arriscado, um risco de riscado...tipo só dois risquinhos assim de tão fechadinhos que eram. Quando falava, logo ligávamos sua voz ao seu nome, pois era como um CANTO celestial...uma doçura de voz que nos embriagava, nos entorpecia...nos...nos desnudava...não, isso não, isso quem fazia éramos nós mesmos...em casa...naquele momento de fórum íntimo reflexivo oratório, auto imune aos berros de quem precisava usar a latrina kkkkk tudo isso pra dizer...no banheiro, sozinho...pensando nela....todos a pegamos...eu a engravidei umas dezessete vezes.

Tinha 21 aninhos, era professora de Inglês, havia morado nos estates, o outro professor havia falecido há poucos meses e ela viera em substituição...morte providencial...que Deus o tenha. Quando entrava na sala e dizia GUDIMORNIN CLECE, em uníssono respondíamos, ou balbuciávamos algo tipo...vahvahvohvihtchitcha.... hahahahaha que doideira...era muito doida essa hora...ninguém entendia nada e ao mesmo entendia tudo...ela falava com o corpo...as meninas da sala olhavam para a professora com ódio mortal e nós não olhávamos pra ela, olhávamos por ela, através dela, da roupa dela...ela nem usava roupa na nossa cabeça...era assim...tipo...um ser despido de si mesmo...no real sentido da palavra...não dá pra explicar, era surreal...era uma mulher nua na frente da lousa, vestida só com um giz na mão. Um dia ela disse que precisava de um voluntário pra servir de monitor na turma dos pequenos em que lecionava ...pense na gritaria todos de pé e de mão levantada...EU EU...EU EUEUEU ...NÃO...EU...alguém perguntou “pra fazer o quê fessôra?” ela respondeu “-pra dar aula de inglês para iniciantes”...

Creeec...plaaac...todos sentaram ao mesmo tempo arrastando as carteiras....todos? ...eu disse todos? Não...nem todos...heroicamente destemido o pretinho se manteve de pé...de braço erguido...mal sabia falar seu nome, ler que é bom nada, só soletrava, passava de ano sempre na recuperação e não poucas foram as vezes em que foi pro conselho de classe...uma espécie de tribunal escolar que julgava quem merecia ser salvo e ir pro paraíso da aprovação, ou queimar no inferno estudantil da repetição de ano, mas ele fora o único que se manteve de pé voluntariamente. Acho que nem mesmo sabia o que estava acontecendo, talvez em sua mente estivesse pensando numa praia com a professora Ilena...brincando de manja pega... nus...com ela olhando pra ele e fazendo uma cara de mulher apaixonada...ah nego tuíra beiçudo danado!

Na manhã seguinte ela não teria tempo conosco, mas teria na classe dos menores e adivinha...Epifânio de camisa social, de manga comprida, amarelo canela enfiada numa calça de bolsos enviesados, desfilava na escola, metido, se achando o próprio sobrinho americanizado do Tio Sam...bateu a campa...todos foram para as salas...teríamos naquele horário, aula com o professor Roberto de história...ele fez a chamada...e...mal começamos a ouvir sobre os senhores feudais e aquele vulto amarelo atravessou o pátio central da escola rápido como um raio, mais parecia um Camaro Amarelo de tão rápido que passara...não...naqueles dias não havia Camaro Amarelo...estava mais para uma Brasília Amarela...veloz...tão veloz quanto...uma...Brasília Amarela...Epifânio Augusto passou zimpado no rumo de casa...todos se olharam e...rindo baixinho sabíamos...deu merda! Hihihi

Alguns dias depois ele voltou pra escola...meio sem graça...mas voltou...e não podíamos deixar de perguntar...

Mano...o que aconteceu? E ele nos contou...

Naquela manhã a professora Ilena me apresentou pra turminha de uma maneira que me senti o mestre dos mestres, o professor dos professores...Paulo Freire era débil na minha frente...ela me disse que eu ensinaria alguma coisa nova pra eles...não precisava ser nada muito avançado, só alguma palavra nova... que eles não conhecessem...porra...pensei em LOVE.... caralho mano eu sei o que é LOVE...é AMOR...eu não ia errar essa...era a palavra perfeita...AMOR...falava tudo sobre aquele momento...sobre o que eu estava sentindo...caramba mano o amor estava no ar...eu ia aproveitar e falar pra professora sobre o LOVE no meu coração e...já tinha até imaginado a cena em casa...ela me olhando ...eu olhando pra ela e dizendo...LOVE...LOVE me balançando assim...com aquele gingado que só negão tem sacô...e tava eu ali...porra...viajando na minha mente e...sabe como é né? (ele ele fazia uns gestos assim com as mãos e braços e pernas e boca e todo o corpo, parecia drogado) e disse que quando estava nesse transe...quase transa.... com a japonesinha...o gordinho neto da dona Luzinete, merendeira da escola, perguntou de supetão:”-fessô...o que significa TENKIÚ ? ...#$%¨&*#@...cara eu cai do cavalo!!! Foi como um coice...uma chicotada nas costas...aquele gordo filho, neto e bisneto de quenga não podia ter feito isso comigo...não na frente da professora Ilena...cheguei a desejar que ele morresse comido por um jacaré, sendo dilacerado pelo giro da morte do réptil, ou mordido de cobra venenosa, que morresse entalado com um pedaço de jabá, e fosse ficando todo roxo e ninguém conseguisse tirar o bendito pedaço de charque da goela desse maldito...que quando chegasse em casa a casa estivesse pegando fogo com toda a família dele dentro...ah gordo maldito...que porra é essa de TENKIÚ???? Tenkiú é o teu kiú...seu filho do capeta....gelei...não sabia o que responder...fiquei branco...as mãos suaram...as pernas tremeram....olhei pra professora e os olhos dela agora pareciam duas bolas de sinuca de tão arregalados...esperando a resposta...acho que ela pensou que eu soubesse que cacete era aquele...e eu ali...perdido...sozinho...tinha que pensar rápido numa saída e...

“-AI FESSÔRA AGORA QUE EU ME LEMBREI QUE MINHA MÃE PEDIU PRA TIRAR A ROUPA DO VARAL QUE VAI CHOVER”...e saí correndo feito uma bala daquele pedaço de inferno que aquele gordinho criou...parei de correr lá em casa já mentindo pra mãe dizendo...morreu um tio, do pai de um colega da diretora mãe e não vai ter aula hoje...minha mãe só disse...“sei”.

Eita Epifânio...é um artista...

Mensagem pra você que ama e que é amada.

Todas as manhãs são assim, uma maneira de sentir prazer estando distante fisicamente de você, mas é claro, não considerando que a presença física seja tão importante quanto a presença psíquica, emocional, espiritual.
Ainda hoje ouvi uma música que me fez desejar me apaixonar por você novamente, mas....ontem eu já fiz isso oras, e antes de ontem também. Aí cheguei à conclusão que a energia que me faz continuar é me apaixonar por você a cada manhã, e a cada manhã me sentir um pouco mais apaixonado que na manhã anterior, e tendo a certeza que só estarei menos apaixonado que na manhã seguinte, pois a cada dia teu amor me enche, me renova, transborda não em mim, mas de mim...a partir de mim.
Lembra? Quando estamos longe, aparentemente longe, é quando mais sentimos necessidade de estarmos perto, bem perto, junto, sobre e sob, dentro.
Incomparável beleza é aquela cujo espelho do coração reflete a soberana formosura do ser amado... do ser querido... da outra metade. Nada mais há a ser dito acerca da forma como a graça e a leveza da mulher que amo me faz respirar, e transpirar paixão, desejo, fascínio.
Tantas são as veredas que o amor percorre até encontrar guarida no lugar seguro, correto, livre e preparado especialmente para sua chegada. Quase sem querer me apanho a imaginar se não tivesse sido você a me escolher, a me encontrar a se assenhorear de mim. Digo quase sem querer por não ter a certeza que tanto bem te faço como a mim me fazes, mas, não desisto de sonhar e continuar sonhando que sou perfeito pra você, e você pra mim, e você e eu pra nós.
Agora, nada mais há pelas próximas horas, que o desfrutar do findar do dia na tua companhia, com a certeza no coração que ao amanhecer, esse sentimento de satisfação dará lugar a uma enorme necessidade de me apaixonar novamente, e novamente, e novamente. E se alguém disser que isso não é amor é só paixão...rsrs, que vá criar sua própria forma de amar, porque estou muito satisfeito com a minha....e ela também...pergunte a ela se quiser.


domingo, 2 de novembro de 2014

Epifânio Augusto em: O Cãopirôto


Capítulo 2

O Cãopirôto

 Era manhã de sábado, o sol ardia, pouco antes das oito, estávamos todos muito bem vestidos, Carlos Magno, Paolo, Rubinho, Manel Hilário, e Mário Alberto, e eu, mas ele...ele não estava lá. Ela aparecera na escola durante a semana, mais precisamente na quinta feira e estes dois dias foram suficientes para mudar nossa visão da vida, da lua, do vento, do sol, dos pássaros, até dos cães que chutávamos na rua...passamos, como num passe de mágica, a amar todos os animais do planeta, o javali (ai que lindinho), a onça, o texugo, o orangotango (parece um principezinho), o poraquê (eletrizante), apesar de duvidar que qualquer um de nós já tivesse visto um javali, ou onça, ou esses outros aí de pertinho, mas...os amávamos...amor de Deus pelos animais... olha que coisa!!! kkk, ficamos todos muito românticos, muito humanos,  digo, nada humanos....o sentimento que nutríamos nada tinha de humano...humanos são maus, em sua grande maioria, e a minora?....são péssimos...mas o sentimento era algo assim...tipo..celestial. Viera de outro estado e se chamava Valentina Gurgel, Maria Valentina Amâncio de Freitas Gurgel pra ser mais preciso...era a própria visão do divino, olhos esticadinhos, quase nipônicos, uma pele marrom queimada, mas não era queimada de sol, era queimada de fábrica, tipo, produzida na fornalha vulcânica do amor de seus pais...cabelos cacheados, presos na lateral por uma dessas fivelinhas de apertar que faz plec, sobrancelhas grossas, quase unidas, de uma textura de veludo negro azulado que bem lembrava as saias da boneca Barbie...hum...e a  boneca Barbie usava saia de veludo? Alguém sabe dizer? Nem vou falar nos lábios...er...err...como não falar? Aqueles lábios...hummm que lábios...lábios reticentes, omissivos que guardavam segredos ocultos, segredos já são ocultos ora, mas os que aqueles lábios guardavam não eram nem para se pensar em desvendar, houve quem morresse tentando desvendar mistérios de lábios como aqueles...ahhh...seus lábios...eram carnudos sem exageros, quando sorria tomava de assalto nossas mentes e vistas e ficávamos como quem sonha um lindo sonho...aqueles lábios de morder guardavam dentes tão branquinhos que a brancura polar não lhe era suficientemente comparável.  Adventista do sétimo dia, vestia-se de maneira sóbria e quando falava...sua voz...que voz...suave sem ser frágil, doce e firme feito rapadura...foram duas noites em que cada um de nós dormiu pensando nela, ouvindo sua voz, imaginando como seria o primeiro beijo naquela boquinha linda que faria Joli invejar...esperávamos ansiosos por sua chegada à igreja...quem passava na frente da igreja e nos via ali, não só se admirava como se benzia, rezava o credo, invocava os orixás e dava três pulinhos, (égua que porra é essa?!!!), que gente preconceituosa, como se aqueles jovens fossem endemoniados e irrecuperáveis...confesso que eu também acreditava nisso àquela época, éramos danados demais...mas...lembrei que...ele não estava lá...a vontade de ver Valentina era tamanha que nem pensávamos ou lembrávamos dele, que fazia parte da turma também, mas naquele momento, já éramos seis guris com os hormônios à flor da pele numa silenciosa disputa para saber quem receberia o primeiro olhar dela...da diva.

Dois dias...apenas dois dias e já éramos os primeiros à porta do céu caso Jesus voltasse naquele momento, de tanta que era a nossa santidade, ou pelo menos a que queríamos que ela pensasse que tínhamos, mas...ele...ele não estava lá.

Eis que chega o carro do pai dela...não lembro bem que carro era, mas sei que era verde, um verde que contrastava com qualquer uma de nossas roupas, Mário Alberto usava uma blusa cáqui e uma calça de brim tingida de preto para parecer nova, lembro bem que ele a usara na festa de ano novo dois anos antes, eu de listras em vermelho e amarelo, Manel Hilário de camisa branca de uma marca conhecida...Hering...Carlos Magno de roupa social que findava num colete igual esses que os escritores usam...almofadinha!! Paolo era o mais novo de nós e estava de conjuntinho infanto juvenil e Rubinho de calça USTOP e camisa xadrez...e o carro? ...verde ora...tão somente verde...mas ele...bom...ele não estava lá...

Ela desceu do carro e o sol pareceu diminuir seu brilho...há bem poucos minutos atrás teimava em nos derreter com seus raios ardentes e ...acho que ficou tímido diante daquela formosura de menina...ainda não chegara ao Debut, mas nem o imponente astro rei encorajou-se a encarar-lhe o brilho...que divina...vestido longo, sereno, de cores tradicionais, um sapato de salto alto baixinho, desta feita usava no cabelo uma travessa de florzinhas...se dirigia a nós em passos suaves...sorriso nos lábios...duvido que algum de nós não tenha pensado em casamento naquele momento apesar das poucas idades, entre 13 e 14 anos...mas agindo como homens...mas ele não estava lá...não, não estava lá...   ...   ...não o quê?????

De repente ouvimos um “-CÓÓÓÓÓRRRRREEEEE!!!!”

PUTAQUIUPARIU era ele...Epifânio Augusto descia a ladeira ao lado da igreja desembestado, vindo lá de cima, dum quintal onde havia uma mangueira frondosa, com um enooorme vespeiro no tronco, bem lá no alto...tinha derrubado a casa das vespas...o preto safado descia numa velocidade supersônica, aos berros e se batendo...passou por nós como uma bala preta...não...branca...não......preta albina...kkkkk...não tivemos nem ação de correr...o enxame chegou...não, enxame não...aquilo não era um enxame era um tsuxame.....a paquera acabou, o brilho acabou, o vestido acabou, o verde do carro acabou...só restaram os gritos de ai, ai, ai, ...olhei pra trás no momento da fuga e deu tempo de ver a menina gritando pelo pai e tentando se livrar daquela nuvem de marimbondos...tadinha...soube mais tarde que os lábios outrora carnudos sem exageros, ficaram exageradamente inchados...hihihihi!!

Dias depois nos contou Epifânio, derrubara o ninho para pegar mel...caralho Epifânio essas aí são as abelhas burraldo!!!!...são as abelhas que fabricam o mel...as vespas são como mulher casada enxerida...só fabricam dor e sofrimento, seu mentecapto...

Ele era assim...endiabrado...não passava um dia inteiro sem aprontar alguma traquinagem...sem fazer uma pretice...

Soube há um tempo atrás que Valentina casou com um irmão da igreja...que bom...melhor assim...acho esse povo de igreja meio paradão, sabe? Sem muita diversão...se qualquer um de nós tivesse ficado com ela, esse perderia a amizade do lôro Epifânio porque ele não iria à igreja...com ele nem Deus quis se meter...imagino Deus olhando pra ele e pensando...“Como pode alguém ter nascido pior que Lúcifer?”

E a igreja? Bom... a igreja...passou a vontade de sermos salvos...na verdade a salvação para nós naquele momento estava na figura de Valentina...ela iria nos redimir dos nossos muitos pecados e iria nos levar pessoalmente até as portas do paraíso...a beiçuda, agora era assim que a chamávamos hahaha...deixou de ser o alvo de nossas “imaginações”...o lôro conseguiu essa proeza...naquele dia ele foi mais importante do que ela nas nossas vidas...ele nos livrou da tentação da mulher bonita na vida de um garoto...garotos são como brinquedos nas mãos delas...as...mulheres...

De certa forma o cãopirôto fez mais uma coisa boa por nós...pelo menos comigo se deu assim...sempre que me trancava no banheiro para aquelas horas de meditação, reflexão e muita oração, cê entende, né? Quando Valentina começava a rondar meus pensamentos, me vinha à mente a tragicômica cena do neguinho de cabelo pintado de lôro descendo a ladeira, correndo, se batendo, com um exército alado em seu encalço...HAHAHA não tem pintinho duro que resista...e me espoco de tanto rir e saio logo do banheiro...

Epifânio não tirou água da rocha, não abriu o mar vermelho, não andou por sobre o mar, mas... tentou...ah sim...tentou beber do mel das vespas...

O que eu sei é...se Jesus voltasse agora para pegar os seus...nós sete estaríamos novamente no fim da fila...se é que estaríamos na fila.


 

Garotos. (Ao meu filho Luiz Gustavo, um cavalheiro)

Olá caríssimos!!!
“Ao meu filho Luiz Gustavo, um cavalheiro”.

Hoje quero contar um segredo sobre os "garotos"..."O que falam os "garotos" quando se reúnem, segundo as mulheres, e o que de fato eles falam".

Mulheres acham que nós, “garotos”, só sabemos falar de peitos, bundas, coxas, futebol, dominó, bebidas e ...peitos e bundas de novo, kkkkk, não é verdade...quanta injustiça!...somente as desprovidas de neurônios é que pensam assim...as outras evoluíram e sabem que só conversamos coisas adultas e evoluídas...você que lê, concorda?

Quando nos reunimos... só falamos nelas... imaginamos que não há nada na vida mais importante do que as mulheres...elas são "cheirosas, bonitas, carinhosas, meigas, fiéis, amigas, protetoras, sonhadoras, umas gostam de apanhar, outras de bater...e batem forte...algumas são galinhas outras cachorras, mas ainda assim somos apaixonados por elas"...posso continuar ou devo parar?

Tem umas que mexem com a nossa natureza ao ponto de fazer-nos cometer as maiores loucuras, e os piores pecados. Há delas que nos desmontam num olhar, nos desafiam com um gesto diferente na forma de pisar no salto alto. Há também aquelas que nos fazem molhar a cama quando sonhamos...ah!!! essas são...mmmm, tipo...avassaladoras...paro ou continuo?
Quando nos reunimos, casados ou solteiros, cultuamos seus dotes, olhares, cor da pele, aromas que exalam calor que emanam de seus corpos vivos e quentes... as que menos tem essa fervura  fervem o cérebro de um homem só com uma mexida de cabelo, só com uma ajeitada na parte de trás da calcinha...elas, as mulheres, sabem, acho que hereditariamente, como fazer de um homem inteligente um homem comum, limitado, elas tem essa coisa de bruxa na veia, essa coisa de ...sei lá...versão feminina de Harry Potter...sigo ou paro?
kkkk tem algumas que não gostam de pêlos no peito, barbas e bigodes, outras que se sentem bem com tais elementos de proteção, e as gordinhas? ah as gordinhas...elas se dão...não, melhor, se doam de forma tão completa, diria I N T E G R A L M E N T E que não consigo conceber alguém tão naturalmente materno quanto às fofinhas...materno? eu disse materno? ha ha ha, mas quando se emputecem, estão mais para carcereiras torturadoras que para maternais, rsrsrsrs , mas tem um tipo singular...as magrinhas de unhas compridas...eita!!!cuidado garotos...elas sentem q seu poder está nas benditas U N H A S, acho q eh algo assim...felino...meio leoas...meio panteras...onças...garotos quando se reúnem falam do cheiro de canela das morenas, da cor do pecado...de seus cabelos encaracolados e também daqueles esticadinhos, ô charme...garotos são tão bobos quando falam de garotas...paro, felina?.
Rsrsr...garotos gostam de falar das que já pegaram, contam vantagens, dizem o que fizeram, aumentam, inventam, exageram... às vezes, depois de altas gargalhadas sobre uma história dessas, exageradas, reina um silêncio ...silêncio revelador...  ...   ...silêncio do garoto que sabe que acaba de contar uma aventura mentirosa com uma mulher...e...  ...   ...silêncio dos garotos que sabem que é mentira, mas riram porque gostariam que fosse a mais pura verdade, e mais...que eles fossem o personagem masculino principal na novela ora narrada...com a "menina" dos seus sonhos...tem daqueles que se apaixonam pela professora ....pode um negócio desse? mas ô coisa boa se apaixonar pela professora...quantos não se apaixonaram?
Como é bom encontrar os amigos pra falar sobre...garotas...elas parecem tão mulheres...tão donas das situações...tão...donas... de nós...lembrei agora do Leoni (Kid Abelha)”-...garotos como eu, sempre tão espertos, perto de uma mulher são só...garotos”.


Por Ricardo Serrão.



Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera coincidência.
Não me processem...sou pobre.

Homenagem aos meus mestres

Você lembra de seus professores do primário? Lembra de como foram capazes de fazer de você a pessoa que é hoje? Que bom que lembra...eles merecem ser lembrados.
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Meniiiino não faz isso!!!E já saia puxando um pelo braço enquanto outros tentavam pegar a merendeira com” ki-suc” ou “ki-refresko de groselha, vermelho feito sangue” e ,“bolacha maria” da colega desatenta, aliás, vale lembrar que o ki-refresco era do jarrão(ei jarrããão!!!! Lá saia aquele gordo disfarçado de jarro de refresco na tela da tv em preto e branco, nos intervalos do vila sésamo, do titio Barbosa ou do programa do Chico City). A molecada não dava trégua à professora Maria do Carmo da 1ª série no colégio Barão do Rio Branco, que de vez em quando puxava um pela orelha, e não adiantava falar para a mãe porque o ato se repetiria em casa. A escola era o lugar mais longe que eu já tinha ido sozinho, lembro que foi o lugar onde vivenciei minhas primeiras conquistas, como dar uma volta inteira no perímetro do “barão”...ah!!!que sensação de vitória maravilhosa!... nunca, jamais em toda a galáxia alguém se sentiu tão poderoso, tão monárquico, tão...Rocky Balboa, quanto eu...lembro que tinha uma sala de alunos especiais, e naquela época aluno especial, para um garoto de sete anos significava “maluco”(hoje sei que eram de fato especiais, e mais especiais eram suas mães que lutavam para que tivessem uma vida normal como qualquer criança mesmo sabendo que eles sofreriam brincadeiras sem graça das outras crianças “normais”...crianças sabem ser cruéis...não se ensina isso...é nato), outra conquista foi passar na frente da porta dessa sala olhando para dentro,  o medo era terrível, as pernas cambaleavam, o coração batia mais acelerado que as caixinhas da fanfarra, o terror se apoderou de mim de tal forma que, apesar da porta ter somente uns 120 centímetro, pareceu que o tempo que levei até findá-la foi de umas duas horas e meia e quando finalmente o percurso foi concluído, saí correndo feito um desesperado com a sensação de que algum aluno daquela sala estava correndo atrás de mim. Meu Jesus!!!!consigo sentir a mesma sensação daquele momento...sensação de espectador de filme de Hitchcock no Cine Ypiranga ou no Guarany.
Me recordo que as vezes em que me atrasava na cópia da tarefa na lousa, começava a lagrimar porque a professora dizia: “-Quem se atrasar vai ficar depois da aula de castigo”...abria o olho com dois dedos e pedia para o colega ao lado assoprar para tirar o cisco...mentira...estava chorando, mas não queria que ninguém soubesse...ela olhava minha letra e dizia “-é quase um médico, falta pouco”, até hoje a minha letra é assim, quando termino um texto só eu e Deus entendemos o que escrevi...cinco minutos depois...só Deus kkkkkk, que tortura, que malvadeza, éramos tão pequenos, tão indefesos, essas palavras eram mais ameaçadoras que as palavras do padre na tv quando sentenciava todos ao inferno caso não se convertessem, kkk, cheguei a querer conhecer o diabo a ter que ficar depois da aula com a megera. A despeito de tudo isso, dessa pressão psicológica, ela conseguiu fazer com que nós, digo, alguns de nós...digo...”quase uns dois de nós” gostássemos de estudar, rsss. Sou muito grato à professora Maria do Carmo que não desistiu de nós quando até Deus já tinha desistido. Ela deu início a muitas carreiras brilhantes, a muitos homens e mulheres de bem.
Alguns de meus professores, digo, muitos deles...digo...todos eles, falavam coisas e davam explicações que eu pensava: “-égua!...o que esse cara tá dizendo???? Será que ele é de outro planeta e lá, com a mente evoluída deles,  eles aprendem essas coisas??? Será que eu sou de outro planeta???? Ah! É isso...eu sou do planeta dos macacos...só pode.
Hoje, homenageio os professores lembrando alguns outros professores que fizeram de mim o homem que sou, um pai de família determinado a dar o melhor para os filhos, mesmo que às vezes consiga apenas o genérico do melhor, o melhor esposo do planeta, a despeito da discordância da minha mulher, ela como todas as outras com seus esposos, não me entende...kkkk.
Professora Maria do Carmo 1ª série, Lucy Bandeira 2ª, Janete Pascarelli de Mesquita 3ª, Jane 4ª.
No ginásio, colégio estadual: Maria do Carmo mat., Nely Port, Terezinha artes, Ivan mat, Paulinho handebol, Rosalvo Quim e Fis.,Walcimar Moura Ed física, Weber ciências, Dona Estar vice diretora, Dona Milca diretora, braba no último...na ETFA Núbia port, o tamba(só lembro o apelido de alguns), a Matahari, Delbanor, Valverde, César, Valmir Alencar, Marc Clark, Almir Liberato, Roberta, Anely, Rita(maluca), Moisés, Elson, Julinho, Orlando, Humberto de ospb e moral e cívica, kkk, cantávamos o Hino Nacional, o Hino do Amazonas e o Hino da ETFA(hj IFAM)...eita...lá se vão alguns neurônios e lá se vem uma dor de cabeça de forçar as lembranças, mas vale a pena...eles merecem.
Parabéns professor e muito obrigado.

Por Ricardo Serrão.




Um dia antes do Fim do Mundo

Essa mensagem se autodestruirá em aproximadamente um dia...cuidado para não se machucar...muito.

Aproveitando que o fim do mundo é amanhã, só passei para lhes desejar um bom evento...sei lá...de repente acontece mesmo e aí? como faremos para voltar no tempo e dizer o que queremos dizer hoje a quem se ama? ou se odeia né? Que é de lei... Sendo assim, vamos lá...

Como será amanhã? 

Responda quem puder 
O que irá me acontecer? 
O meu destino será como Deus quiser
Lembrar Simone (cantora) na iminência do fim do mundo é ótimo...então, voltando ao evento...não sei muito bem se devemos nos preocupar, o Brasil historicamente não é bom com grandes eventos, logo, talvez o fim do mundo não queira muita coisa com a gente não...o que acham? Porém, na dúvida melhor é fazermos as pazes com quem precisamos e a guerra com quem devemos, rsrsrsrs, guerra? Eu falei guerra? É isso mesmo...já que vai tudo pelos ares então vamos falar as verdades ocultadas em nossos corações sobre o outro ora...esse é o momento...se o mundo acabar você não será xingado por ninguem, não haverá guerra nunca mais... e se não acabar...bom...pelo menos você se desfez de um sentimento ruim guardado no coração...e ainda... se a pendenga for inevitável vc poderá se justificar dizendo que estava vivendo um momento de emoções intensas com a chegada do armagedom e falou porque achava que iria morrer , e ainda, que estava à flora da pele...ora se esse planeta não for destruído como a profecia Maia previu, todos estarão vivendo um momento de alívio...de emoções mais intensas ainda...faça logo o que deve ser feito e o que quer fazer e falar...aproveita bobão...e bobona é claro...AH!...aos mais corajosos, falem logo àquela pessoa, alvo de vossa “admiração” o que sente por ela...talvez não tenha outra chance...e se...já pensou...se não ocorre o grande evento? Rsrsrsrs e cola....kkkkkkkk ô maldade...que pensamentos maliciosos Jesus!!!! Tem misericórdia meu Deus...mais uma ideia...sabe aquela chefa?...aquele chefe? Aquela sacaneada que vc levou por culpa dele mesmo?...kkkk ainda preciso falar alguma coisa?rsrsrsrs essa eu não vou perder...já preparei o diiscurso...e só vou falar no último momento...pra ele morrer com dor no coração...kkkk...pense num cara mal!!! Quando o buraco no chão estiver bem grande...e o chefe estiver na beirada, aí sim, eu grito pra ele bem alto...para que o barulho da destruição não atrapalhe...seu @#$%¨&* não esqueci aquilo que fez não...vá pra *&¨%$%$#@!...
Ei galera! como eu disse, eu sou mal...então vou alfinetar...tem gente que, se o mundo acabar, vai  morrer“solteira(o)”, pobre, rsrsrsrs (eis-me aqui), com friera, rsrsrrs tem gente que vai morrer...sem....mmm...sem..éé...vcs sabem né?kkkk oh maldade!!...pior ainda...tem gente que vai morrer esperançosa que o namorado...que lhe deu uma aliança de noivado há 4 anos...ainda vai levar pro altar...putz...oh Senhor, queima esses menitirosos enganadores meu Pai, rsrsrsrs...pra concluir, porque eu sei que tem gente lendo esse e-mail já agoniado porque tá doido pra dar aquela sacaneada em algum desafeto pra não perder a oportunidade, kkk...
Só mais uma coisinha...
...não esqueçam...


....nos vemos na segunda hein!!!



Qualquer semelhança com a realidade é mera sacaniência. Fui.



Por Ricardo Serrão.


P.S. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mera coincidência.
Não me processem...sou pobre.




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Eu escolho ser alegre.

Eu escolho ser alegre.

Nos últimos dias fui acometido de algo que de surpresa tomou conta do meu ser. A tristeza. Hahahahaha pior pra ela, tentou se apossar do cara errado, me deixou assim, meio pra baixo por alguns dias, andei até chorando um pouco aqui um pouco ali. Alguns amigos, notando que algo estava errado, porque amigo que é amigo nota essas coisas, tentaram diagnosticar o mal:
Um disse. “-É depressão, pronto, melhor procurar um médico urgente antes que se agrave”.
Outro. “ É síndrome do pânico, isso é terrível, a pessoa não consegue nem sair de casa”.
Mas teve um que chegou mais perto do que acho que aconteceu mesmo, até porque não procurei médico nenhum. Ele disse. “ ISSO É FRESCURA” KKKKKKKKKKKK Caraca, nunca um diagnóstico foi “tão quase preciso”, tão quase? Imagino que tão quase é mais que um chute na trave, é um chute na cara do goleiro, ou seja, de qualquer maneira não foi gol, a bola não entrou, ora bolas, logo, o diagnostico também não passou de um tão quase preciso.
Me ajoelhei em oração e disse a Deus:
Meu Pai, não quero que o Senhor tire essa tristeza de mim, não quero que ela saia da minha vida incólume (eita cacete, começou, que porra é INCÓLUME? Só um minutinho gente, vou procurar o pai dos inteligentes, o dicionário, digo isso porque nunca vi um burro procurar ajuda num dicionário, só os inteligentes fazem isso, obrigado pela parte que me toca rsrsrs...pronto, achei: Incólume=adj. m. e f. 1. Livre de perigo; são e salvo. 2. Bem conservado; intacto.)Intacta? Bem conservada? Sã e salva um cacete, meu Jesus, não tira ela de mim não, vou judiar um bocado dela, ela vai sair mas é na porrada, vai levar uns cacetes antes de pegar o beco. Aí continuei orando: Jesusinho do meu coração, meu Papai, renova em mim Pai a alegria da tua salvação e me dá uma porção dobrada daquilo que um dia abri a boca para dizer que foi um dom que o Senhor me deu...QUERO ESCREVER. Oh Glória!!!! Então fiquei assim quietinho, como sempre faço, esperando para ouvir a voz de Deus naquele momento tão bilateral, eu e Ele, Ele e eu, às vezes mais Ele do que eu, às vezes menos eu do que Ele.
E ele respondeu:
(Convido você agora a imaginar a voz de Deus falando. Só não vou pedir para você fechar os olhos porque não conseguirá ler a divina resposta).
E disse Deus:
 “- Meu filho, essas coisas do que de vez em quando o homem é acometido de fato é tristeza, e você só conseguirá dominá-la quando lhe conhecer a natureza. Portanto aprenda, tristeza não  é aquilo que resulta de uma mal sucedida ação humana, ou ainda, que resulta da perda de algo ou alguém a quem muito se quer bem, não, tristeza não é nada disso. Tristeza nada mais é que um estado letárgico daquele que escolheu não ser alegre”.
Seguuuura Deus!!!! Só o Senhor mesmo pra vir com esses conceitos divinais sobre coisas que pensamos que sabemos o que é. Pois então, agora, a partir desse momento ...EU ESCOLHO SER ALEGRE.
 Alguns poderão dizer:
“Só agora ele escolheu ser alegre? Eu escolho ser alegre todos os dias e mesmo assim a tristeza muitas vezes chega e me derruba também”.
É verdade, mas hoje eu escolhi ser alegre porque recebi a palavra direto da boca de Deus. Isso me basta.
Hehehe, o amigo pode estar se perguntando: E O KIKO?
Bom, como a palavra me foi deveras agradável, eu não podia retê-la somente pra mim, então, resolvi compartilhar minha alegria com vocês, meus amiguinhos da internet, a quem ultimamente só encontro na internet mesmo, kkk, faz parte né? Ô gente moderna!


Quero apresentar a vocês uma figura. Um serzinho de quem pouco escreverei nesse momento para que cada leitor possa desfrutar do prazer de imaginá-lo da maneira que lhe bem parecer e que faça dessa jornada de alegria um despertar da criança que habita dentro de nós e que quando a deixamos adormecer, ficamos chatos, ranzinzas e antipáticos.
Ele se chama Epifânio Augusto.

Por Ricardo Serrão.


Deusa Arte.

MÚSICA Já escrevi sobre a presença da arte nas nossas vidas. “A arte é assim, alguns gostam, outros nem tanto, outros são distantes, mas tod...